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sábado, 30 de janeiro de 2010

Sugestão de leitura


Precisamos falar sobre o Kevin

    
We Need To Talk About Kevin
Filme:
Direção: Lynne Ramsay Elenco: Tilda Swinton (Eva Katchadourian)John C. Reilly (Franklin)
Sinopse: Através de cartas enderaçadas ao seu esposo, Eva reconstrói sua vida familiar nunca quis ter. O garoto, além de ser uma das razões do desgaste do relacionamento entre ela e o marido, se sforma em um homicida ao elaborar e executar um massacre na escola onde estuda. Eva tenta lidar com seu sofrimento através das tais cartas.

Livro

A expressão de Kevin era tranquila. Ainda exibia uns restos de determinação, mas esta já deslizava para a empáfia arrogante e serena de um trabalho bem feito. Os olhos dele estavam estranhamente desanuviados – imperturbados, quase pachorrentos – e, reconheci a transparência daquela manhã (…) Aquele era o filho estranho, o menino que largara o disfarce vulgar e evasivo do quer dizer e do eu acho e o trocara pelo porte de chumbo e pela lucidez do homem que tem uma missão.”

Capa:

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Antes de completar 16 anos, o adolescente norte-americano Kevin Khatchadourian, um garoto bonito, inteligente, mimado pelo pai e admirado pelos professores surpreenderia a todos ao cometer uma chacina, uma matança sem igual no ginásio de seu colégio, nos subúrbios de Nova York. Num crime friamente calculado, Kevin usando uma balestra, dispara flechas contra sete colegas seus, uma professora e um funcionário da cantina, matando e ferindo sem um explicação plausível. Menos para a sua mãe, Eva Katchadourian, que ao vê-lo pela primeira vez – no trecho acima – reconheceria o monstro que criara. Revendo sua difícil relação com o filho, desde seu nascimento até o dia fatídico. Torturado pela culpa de que podia ser responsável de alguma maneira pelo massacre, Eva procura os porquês de tudo aquilo.
O livro é narrado em primeira pessoa, através de cartas de Eva a Franklin, pouco mais de um ano e meio depois da quinta-feira. Misturando ao histórico de maldades de Kevin comentários e revelações, Eva reconta toda a trajetória sua e de seu menino, como ela decaiu de empresária bem-sucedida a agente de viagens fracassada e como ele sempre fora mau. Mas mau mesmo, no sentido mais puro da palavra; se adolescentes rebeldes que tiram sarro dos pais enquanto fumam um baseado apavoram os telespectadores da maior revista eletrônica do país, acredito que, ao ler as peripécias de Kevin, esses mesmos telespectadores teriam um ataque cardíaco – no mínimo. Não que atrocidades sejam narradas explicitamente durante a narrativa; embora algumas sejam, a sutileza com que as situações são postas às claras é suficiente para imaginar o que ocorrera, e se ultrajar ou sensibilizar com a situação.
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Nome do Livro no Brasil: Precisamos falar sobre o Kevin
Nome Original: We Need to talk about Kevin
Escrito por: Lionel Shriver
Publicado no Brasil em: 2007
Editora: Intrínseca
Nº de Páginas: 464
fonte: Blog da Niele, http://nyelehendrick.wordpress.com/2009/06/23/. Acessado em 30/01/10

Aula 30/01/10 - Profa. Viviane M. de Oliveira dos Santos - Parte 2


COMPORTAMENTO E APRENDIZAGEM:
A INFLUÊNCIA DA ABORDAGEM COMPORTAMENTAL NO COTIDIANO EDUCACIONAL

John B. Watson (pai do Behaviorismo) maior valor na experiência humana para seu desenvolvimento e aprendizagem do que na hereditariedade.  
HOMEM = produto da aprendizagem desde a infância, associações entre estímulos (do meio) e respostas (manifestações comportamentais).

Dois tipos de condicionamento:
Condicionamento Clássico, Pavloviano ou Respondente (reflexo): respostas produzidas pelo Sistema Nervoso Autônomo e eliciadas por estímulos do ambiente: reações à iluminação. 

Pavlov
A associação de estímulos pode levar ao comportamento respondente: a utilização de estímulo neutro (não tem relação com o comportamento) associado certo número de vezes com um estímulo eliciador este estímulo neutro levará a um tipo específico de resposta.

Skinner
B. F. Skinner (1904-1990) análise experimental do comportamento – nascido na Pensilvânia – fascinação por invenções mecânicas.  Experiências com animais. Base da corrente skinnerina é o Condicionamento Operante.
Comportamento voluntário e abrange quantidade maior de atividades humanas. Exemplo de bebê que balbucia, agarra objetos, olha para enfeites do berço. O comportamento “opera” (age) sobre o mundo, direta ou indiretamente.

Reforço
É a modificação ambiental que teve a capacidade de produzir um condicionamento.
Tipos de reforço
  • Positivo = fortalece o comportamento – oferece algo para o organismo. (barra=água)
  • Negativo = fortalece a resposta que o remove – retirada de algo indesejável. (barra = choque – não tocar = não choque)
  • As respostas corretas (comportamentos adequados ou positivos) são reforçadas todas as vezes que ocorrem no condicionamento operante. Contudo, podemos refletir que não são todas as vezes que no ambiente doméstico ou escolar tais respostas recebem reforço e por isso temos dificuldades de condicionamento.

Modelagem
Ou aproximações sucessivas: quando apresentamos ao sujeito reforço para uma cadeia de respostas simples que levem até uma resposta final desejada.
Indesejável ou desejável:
  • A criança quer brincar fora de casa, a mãe não permite = insistência.
  • Criança que está realizando o treino do banheiro, todos os comportamentos que se aproximem da resposta adequada são reforçados como comportamentos positivos e incentivos para adquirir a resposta final.

Extinção:
É a eliminação dos comportamentos indesejáveis ou inadequados.
  1. ausência do reforço = desaparecimento da resposta (paquera)
  2. punição = apresentação de estímulo aversivo ou retirada de estímulo positivo. ex. palmada.

 Punição:
Conseqüências para suprimir uma resposta com a intenção de diminuir a probabilidade de repetição do comportamento. 
Ex. adolescente que fica de castigo quando não chega na hora, tenderá a se preocupar em chegar no horário pré-estabelecido.

Diferenças:
Reforço negativo: comportamento instalado para evitar um estímulo desagradável;
Punição um comportamento está sendo eliminado através de um estímulo aversivo.

Aprendizagem: GENERALIZAÇÃO
Teoria do reforço como teoria da aprendizagem.
Aprendizagem = transferir mesmos conhecimentos aprendidos para várias situações (escrever, ler, fazer contas).
Uma vez que a resposta condicionada foi adquirida, outros estímulos semelhantes ao estímulo condicionado original também eliciarão a resposta condicionada... O grau de generalização depende diretamente da semelhança entre o estímulo condicionado original e o novo estímulo. À medida que o novo estímulo difere do estímulo condicionado original, menor é a amplitude da resposta. (Alencar, p. 61/2, 2007)

Aprendizagem: DISCRIMINAÇÃO ou Diferenciação
Capacidade de perceber diferenças entre estímulos e responder diferentemente.
Ex. festa familiar e festa da empresa. 
... Diferenciação é o processo (...) pelo qual o sujeito aprende a inibir sua resposta a todos os estímulos que não aquele associado ao estímulo incondicionado. Para que a diferenciação seja efetuada, é necessário que o sujeito seja exposto a mais de um estímulo, sendo apenas um deles seguido de reforço. Após algumas tentativas, a resposta condicionada passará a suceder apenas na presença do estímulo que era seguido do reforço, não ocorrendo na presença dos demais estímulos. (Alencar, p.62, 2007)

FATORES QUE INFLUENCIAM O CONDICIONAMENTO
Ordem dos estímulos: estímulo neutro deve ser apresentado antes do estímulo incondicionado;
Contigüidade temporal: período de tempo entre o estímulo neutro e o incondicionado deve ser o menor possível;
Intensidade dos estímulos;
Condições fisiológicas do sujeito experimental;
Condições ambientais entre outras.

A TEORIA E A EDUCAÇÃO
Educação tem por objetivo transmitir os conhecimentos, comportamento éticos, práticas sociais, habilidade básicas para manipulação e controle do ambiente (cultural, social) = poder da educação;
Finalidade de promoção de mudanças nos indivíduos (positivas e permanentes): aquisição de novos comportamentos e modificação de outros;
Levar os indivíduos a assumirem os reforços de seus comportamentos: “educar para a liberdade”
Aluno não participa das decisões curriculares – comportamento moldado a partir de estimulação externa;
Escola: deve conservar/manter/modificar padrões de comportamento segundo a sociedade, ligação com outras agências controladoras da sociedade, agência que “educa formalmente”.
Comportamento humano complexo = dificuldades para os analistas do comportamento, ensino promover incorporação no aluno do controle de reforços, para chegar em comportamentos auto-gerados.

Aula 30/01/10 - Profa. Viviane M. de Oliveira dos Santos

MECANISMOS DE DEFESA DO EGO

            Ao se deparar com pressões excessivas de ansiedade, o ego muitas vezes, precisa aliviar tais tensões, o alívio das tensões acontece através dos mecanismos de defesa do ego. Tais tensões podem partir de acontecimentos, do mundo exterior ou interior, como também uma situação constrangedora ou dolorosa.
Para evitar o desprazer, o indivíduo busca defender-se através de deformações ou supressão da realidade. Tais mecanismos são considerados inconscientes, sendo que para Freud a defesa é uma operação que o ego realiza para excluir da consciência os conteúdos indesejáveis, com a intenção de proteção do aparelho psíquico.
TIPOS DE MECANISMOS DE DEFESA
REPRESSÃO
  • Impede que pensamentos dolorosos ou perigosos cheguem à consciência.
  • Uma vez formada são difíceis de serem apagadas.
·        Manifestação de doenças psicossomáticas (asma, artrite, úlcera, cansaço excessivo, fobias e impotência)
  • Podem surgir sentimentos ambivalentes (relação amor-ódio).
Ex.: um filho que reprimiu seus sentimentos hostis em relação ao pai pode expressar esses sentimentos hostis diante de outros símbolos de autoridade.
NEGAÇÃO
  • Tentativa de não aceitar na realidade um fato que perturba o ego.
  • Tendência a fantasiar que certos acontecimentos não aconteceram.
  • Lembra incorretamente de fatos.

RACIONALIZAÇÃO
  • Busca de motivos aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis.
  • Apresenta uma explicação que é ou lógica ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que surge de outras fontes motivadoras.
  • Usamos para justificar nossos comportamentos.
  • É uma forma de aceitar a pressão do superego disfarçando nossos verdadeiros motivos fazendo com que nossas ações sejam moralmente aceitáveis.

FORMAÇÃO REATIVA

  • Visa substituir um sentimento ansiogêno pelo seu oposto (ódio – amor; tristeza – alegria, etc). Ele é mascarado por outro.
  • Marcada por uma manifestação extravagante e pela compulsividade.
ISOLAMENTO
  • Ato de dividir a situação de modo a restar pouca ou nenhuma reação emocional ligada ao acontecimento.
  • Os fatos passam a ser relatados sem sentimentos.
  • Pode isolar-se cada vez mais em idéias e ter contato cada vez menor com seus próprios sentimentos.

PROJEÇÃO
  • Reduz a ansiedade ao substituir por um perigo menor.
  • Ato de atribuir a uma pessoa, animal ou objeto qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio.
FIXAÇÃO ou REGRESSÃO
  • Retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil.
  • Fixa em determinadas fases do desenvolvimento por que dar um passo adiante causa ansiedade, impedindo de ser independente.
  • Modo de defesa mais primitivo.

IDENTIFICAÇÃO

  • Internalização de características de alguém valorizado, passando a sentir-se como ele.
  • Processo necessário no início da vida.
  • Permanecer em identificação impede a aquisição de uma identidade própria.

DESLOCAMENTO

  • Descarregamos sentimentos acumulados, em geral sentimentos agressivos, em pessoas ou objetos menos perigosos


FASES DE DESENVOLVIMENTO

Depois do nascimento o bebê perde a relação simbiótica pré-natal que existia com a mãe, com o corte do cordão a separação é irreversível, por isso a criança deve começar sua adaptação ao meio.
A angústia inicial do nascimento – dificuldade para respirar – é o reflexo da luta entre os instintos de vida e os instintos de morte. Portanto é preciso reagir, inspirar esse novo mundo, o mundo externo. Para a sobrevivência é necessária a aceitação dessa novidade e é através da construção da relação afetiva e posteriormente intelectuais, que o ser humano mantém sua existência.
O que era realizado no útero materno, processos de incorporação de alimentos e excreção de substancias não aproveitáveis, deverá ser realizado de outra forma, nas relações com o meio.
Ar saudável entra, ar viciado sai, leite entra e alimenta, fezes e urina dejetam os produtos inúteis para o organismo, esta é a base biológica para os mecanismos de projeção e introjeção que formação as primeiras trocas da criança com o mundo. 

Fase Oral

            Ao nascer nossa estrutura sensorial mais desenvolvida é a boca. É por ela que mobilizaremos nossa luta pela sobrevivência, experimentaremos o mundo e o conheceremos. É a boca que realiza a primeira descoberta afetiva do ser humano: o seio.
            O seio é considerado como o primeiro objeto de ligação com o meio, este é depositário de amores e ódios, é a primazia da mãe que ainda não é conhecida como objeto total. A libido (energia de vida) está organizada neste momento na zona oral, e a modalidade de relação é a incorporação.
            A incorporação, segundo Rappaport, (1981, p.36) “é um caso particular de mecanismo de introjeção”. A incorporação do leite leva também a incorporação do seio e da mãe, com isso temos o estabelecimento do vínculo inicial. Nesta fase as crianças levam tudo à boca, pois esta é a via de conhecer o mundo. 
            Temos duas fases de desenvolvimento da libido na fase oral, a primeira que precede a dentição: etapa oral de sucção que tem como modalidade a relação incorporativa. Existe apenas a vivencia do mundo interno, sendo chamado de narcisismo este modelo de organização. Caso o indivíduo, tenha uma fixação nesta etapa ou retorne a ela, podemos caracterizar uma esquizofrenia. 
E na segunda etapa temos o aparecimento dos dentes, e é chamada é etapa oral sádico-canibal, com os dentes temos a concretização da capacidade destrutiva. Nesta etapa a criança precisa da agressividade para sobreviver socialmente mas também vive a ambivalência de amar e de destruir (mastigar, devorar).
Com desenvolvimento afetivo normal, a criança estabelece o amor como sentimento básico, mas se o desenvolvimento contemplar angústias e agressividade, teremos como mensagem que tudo que é incorporado e amado deve ser destruído, o que levará a uma psicose maníaco-depressiva.

Fase Anal
            Com o início do segundo ano de vida a libido passa a se organizar na área anal. A ligação da psicanálise com as questões das organizações biológicas nos traz uma compreensão ampliada das fases de desenvolvimento, assim, no segundo ou terceiro ano de vida que temos a maturação muscular para a organização psicomotora, e iniciamos atividades como andar, falar e também o controle dos esfíncteres.

Dois processos básicos estão se organizando na evolução psicológica. O primeiro diz respeito ao conteúdo, ou seja, às fantasias que a criança elabora sobre os primeiros produtos realmente seus que coloca no mundo. O segundo diz respeito ao modelo de relação a ser estabelecido com o mundo através destes produtos. (Rappaport, 1981, p.39)

            Neste momento a criança sente que tem “coisas suas”, coisas produzidas por ela, e a oferta ou nega dessas coisas ao mundo. Desde a fala, o andar que podem ser apresentados ou negados aos outros. Esta fase tem duas modalidades de relação: projeção e controle.
            No desenvolvimento normal a criança ama e sente-se amada, os produtos são valorizados, isso será levado a todas as outras etapas da vida. Mas com um sentimento de inferioridade teremos como conduta que nossos produtos não são bons, que podem levar a sentimentos de angústia como também a neurose obsessiva. Temos como etapas: domínio dos processos expulsivos que levará a projeção, a retentiva que levará aos mecanismos de controle.  

Fase Fálica

            A nova organização da libido se dá por volta dos três anos e a erotização passa para os genitais, assim a criança passa a ter interesse na masturbação, nas diferenças sexuais, e também em questionar os objetos (ônibus tem pipi?). Neste período temos a presença ou ausência do pênis, os autores alegam que a vagina continuará desconhecida. A modalidade está relacionada com a organização da relação entre o homem e a mulher.
            Nos meninos a erotização estará no pênis, e nas meninas no clitóris. Neste momento temos a relação de diferença estabelecida, entre superioridade e inferioridade.
Ao homem adjudica-se um elementos de superioridade, que é a posse do pênis. Em decorrência, configura-se uma grande ameaça diante dos conflitos interpessoais, que é o temor de ser atacado naquilo que mais valoriza, ou seja, o temor de castração. À mulher atribui-se um elemento de inferioridade, a castração, e a inveja decorrente, a inveja do pênis, que a mobilizará no sentido de conseguir o que só homem tem, o de compensar esta inferioridade sentida no plano da fantasia. (Rappaport, 1981, p.42)

            Este é o momento de organizar as relações entre homens e mulheres, e as crianças buscam o prazer na companhia dos opostos. Mas esta relação está permeada pela zona de erotização genital, por isso é natural que as fantasias infantis se configurem no objeto de atração sexual. 

Período de Latência

            Com a repressão do complexo de Édipo, a energia  da libido fica deslocada, devido à repressão. Tal energia é agora canalizada para outras finalidades: desenvolvimento intelectual e social da criança. A canalização é chamada de realizações socialmente produtivas de sublimação.

            O período de latência não é considerado como uma fase, pois não tem organização em zona erógena, nem das fantasias, nem modalidades de relações objetais. É um período intermediário: fase fálica e fase genital. A sexualidade “dorme” para surgir com total força na puberdade. Mas este sono proporciona o ingresso na escolaridade formal que gera muitos ganhos para os indivíduos.
           
Fase Genital

            O pleno desenvolvimento (normal) é alcançado na fase genital, além da genitalidade específica o homem também perpetuará a vida, sendo uma de suas finalidade. Terá como aspecto fundamental sua inclusão social, desenvolvimento intelectual, religioso, ideológico, e manterá vínculos relacionais maduros.  

Complexo de Édipo

O MITO DE ÉDIPO

O mito ou lenda de Édipo é considerado por Freud uma obra imortal, que suprime a responsabilidade do homem, atribuindo as potências divinas a iniciativa do crime e demonstra as tendências morais do indivíduo que o fazem resistir as tendências criminosas.

Segundo Freud, o complexo de Édipo é vivido no seu período máximo entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica, o seu declínio marca a entrada no período de latência. O complexo de Édipo pode ser considerado como o eixo central da teoria freudiana da personalidade, desempenhando papel fundamental na orientação do desejo humano, sendo o que dá significado ao conjunto de conceitos psicanalíticos e é o chamado clímax da sexualidade infantil.

Os psicanalistas fazem dele o eixo de referência principal da psicopatologia, procurando para cada tipo patológico determinar os modos da sua posição e da sua resolução. Segundo Laplanhce (1985) a antropologia psicanalítica procura reencontrar a estrutura triangular do complexo de Édipo, para tanto afirma sua universalidade nas culturas mais diversas, e não apenas naquelas em que predomina a família conjugal.


Referências Bibliográficas:

ABERASTURY, Arminda. Psicanálise da criança: teoria e técnica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 8ed.  São Paulo: Saraiva, 1995.
CUNHA, Antônio Geraldo da – Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 11ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1999.
CHEVALIER, Jean e Gheererbrant, Alin. Dicionário de Símbolos. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.
FADIMAN, James. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 1986. 
HALL, Calvin S. Teoria da personalidade. 4ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

HAMILTON, Edith. Mitologia. São Paulo: Martins Fontes, 1992

LAPLANCHE, J e PONTALIS, J,B. Vocabulário da Psicanálise. 8 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
RAPPAPORT, Clara Regina. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: EPU, 1981. 

EAD 23/01/10

ARTIGO CIENTÍFICO


DIRETRIZES:  

  • 2 PÁGINAS 
  • ASSUNTO: UM TÓPICO DA PSICANÁLISE A SUA ESCOLHA
  • AO MENOS DOIS AUTORES

Aula 23/01/10 - Profa. Viviane M. de Oliveira dos Santos

PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS

PSICANÁLISE: alguns pontos sobre a vida de SIGMUND FREUD

·        06/05/1856: Nasce em Freiberg – Morávia (Tchecoslováquia), Primogênito de família judia, com mais seis irmãos, tinha seu próprio quarto e uma lâmpada de óleo para estudar;
·        1860: Muda-se com sua família para Viena;
·        Aluno excelente apesar da limitada condição financeira da família;
·           Devido ao clima anti-semita só poderia estudar Medicina ou o Direito;
·        1873: Ingressa na Universidade de Viena (com dezessete anos);
·        Trabalhou no laboratório de fisiologia do Dr. Ernst Brücke (começou suas publicações);
·        1881: Foi aprovado nos exames finais do curso de medicina (permanece por oito anos);
·        Devido à formatura e o casamento abandona as pesquisas para dedicar-se à clínica médica começando como cirurgião;
·        1884 a 1887: fez as primeiras pesquisas com cocaína;
·        Com a influência do Dr. Brücke conseguiu uma bolsa de estudos para estudar com Charcot em Paris (induzir o alívio dos sintomas histéricos com sugestão hipnótica);
·        Freud acreditava que a histeria era uma doença psíquica (função da psicologia);
·        Volta para Viena encontra-se com o Dr. J. Breuer, que realizava na Áustria pesquisas de tratamento da histeria com a hipnose; ele cuidava de Ana O.;
·        Abandona o trabalho com a hipnose e deixa a pessoa falar livremente. Método Catártico – eliminar sintomas com a retomada de recordações traumáticas passadas, definido pelo paciente, cura pela fala;
·        1896: Usou o termo psicanálise para descrever seus métodos;
·        1900: Publicou “A Interpretação dos sonhos” (uma das suas mais importantes obras);
·        1901: Publicou “Psicopatologia da vida cotidiana”;
·        Devido seus escritos muitos médicos (Alfred Adler, Sandor Ferenzi, Carl Jung, Otto Rank, Karl Abraham e Ernest Jones) tiveram interesse em estudar e difundir a psicanálise;
·        Para manter o controle do movimento psicanalítico expulsou algumas pessoas que discordavam de sua posição (Jung, Adler e Rank);
·        1910: Foi convidado para ir aos Estados Unidos proferir uma Conferência na Universidade de Clark;
·        1933: Os nazistas queimam uma pilha de livros de Freud em Berlin;
·        1923:Começa a sofrer com problemas de saúde; desenvolve um câncer na boca e na mandíbula, passa por trinta e três operações;
1939: Falece na Inglaterra.              

PSICANÁLISE
O termo psicanálise pode se referir a: teoria, método de investigação ou prática profissional. Quanto ao uso como teoria, temos os conhecimentos a respeito da vida psíquica, contando com as publicações de Freud. Como método de investigação partimos da utilização de interpretações para compreensão de comportamentos através de ações, diálogos, sonhos, delírios etc. A prática profissional cabe ao psicólogo ou psicanalista que se encarrega do tratamento (análise) para cura e/ou autoconhecimento do indivíduo.

Fadiman (1986) afirma que Freud dizia que nada ocorre ao acaso, muito menos nossos processos mentais, por isso há uma causa para cada pensamento, memória que revivemos, sentimento e ação. Todos nossos eventos são causados por intenções conscientes ou inconscientes.


A PRIMEIRA TEORIA SOBRE A ESTRUTURA DO APARELHO PSÍQUICO
            A primeira concepção de Freud sobre a estrutura e funcionamento da personalidade foi apresentada no livro A interpretação dos sonhos em 1900. Nesta teoria são apresentadas três instâncias psíquicas: INCONSCIENTE, PRÉ-CONSCIENTE E CONSCIENTE.

CONSCIENTE – “É o sistema do aparelho psíquico que recebe ao mesmo tempo as informações do mundo exterior e as do mundo interior. Na consciência, destaca-se o fenômeno da percepção e, principalmente, a percepção do mundo exterior”. (Bock, et al, 1995, p. 70).
É considerada uma pequena parte da mente, que inclui tudo que estamos cientes neste momento.

INCONSCIENTE: Conteúdos reprimidos; principais determinantes da personalidade; fonte de energia psíquica e pulsões e instintos.
Instintos que nunca foram conscientes e que não são acessíveis à consciência, como também material que não é esquecido ou perdido mas não é permitido ser lembrado.

... os conteúdos inconscientes são sempre idênticos a si mesmos e imortais. Encontra-se aí a explicação de como eventos que ocorreram na infância podem, a partir de seu registro inconsciente, exercer plenamente seus efeitos na vida do sujeito adulto. (Reis, 1984, p.13)


PRÉ-CONSCIENTE – é considerado como uma das partes do inconsciente, onde permanecem conteúdos acessíveis à consciência (lembranças).

Ao passar para o sistema pré-consciente, o ato psíquico é submetido à ação da censura. Caso lhe seja barrado o acesso a esta segunda etapa, diz-se que houve recalcamento. Entretanto, se a censura libera-lhe a passagem, o ato psíquico em questão passa a pertencer ao sistema pré-consciente. Tal ato adquire, desta maneira, a capacidade de se tornar consciente, desde que certas condições mínimas sejam atendidas. (Reis, 1984, pgs 15-16).

PULSÕES OU INSTINTOS
Instintos são pressões que dirigem um organismo para fins particulares. Quando Freud usa o termo, ele não se refere aos complexos padrões de comportamento herdados dos animais inferiores, mas seus equivalentes nas pessoas. (Fadiman, 1986, p.08)

            Considerados como forças que levam as pessoas para ações, sendo que todo o instinto é composto por quatro elementos: fonte = emerge da necessidade (parte ou todo o corpo); finalidade = satisfação do desejo; pressão = quantidade de energia ou força utilizadas para a satisfação do desejo (intensidade  ou urgência); objeto = coisa, a ação ou a expressão que permite a satisfação da finalidade original do instinto.
No conceito de instinto para Freud, temos um modelo de redução de tensão, assim a meta do instinto é de caráter regressivo, o indivíduo retorna para  um estado anterior, antes do instinto, de relativa tranqüilidade. Mas o instinto também pode ser conversador e tem como meta conservar o equilíbrio do organismo (abolir excitações perturbadoras). Neste caso podemos definir o instinto como um processo de repetição, chamado por Freud como compulsão à repetição. Sendo a personalidade guiada para repetir sempre o ciclo de excitação e tranqüilidade.

SEGUNDA TÓPICA
PROPÕE UM MODELO DINÂMICO DA PERSONALIDADE ENTRE 1920 – 1923.

ID – “O id é o reservatório de energia do indivíduo. É constituído pelo conjunto dos impulsos instintivos inatos, que motivam as relações do indivíduo com o mundo” (Rappaport, 1981, p. 20).

“...é a matriz da qual se originaram o ego e o superego. O Id consiste em tudo que é psicológico, que é herdado e que se acha presente no nascimento, incluindo os instintos”.(Hall, 2000, p.53)

Características do Id (Rappaport, 1981, p. 21-22)
·        Responsável pelo processo primário. Diante da manifestação do desejo, forma, no plano do imaginário, o objeto que permitirá sua satisfação. (ex. sonho).
·        “Funciona pelo princípio do prazer. Busca a satisfação imediata das necessidades”.

EGO – “O Ego surge como uma instância que se diferencia a partir do Id, servindo de intermediário entre o desejo e a realidade”(Rappaport, 1981, p. 25).

“O ego passa a existir porque as necessidades do organismo requerem transações apropriadas com o mundo objetivo da realidade”. (Hall, 2000, p.54)

Características do Ego (Rappaport, 1981, p. 26-28)
·        Dá o juízo da realidade – o Id dá o desejo o ego tentará construir caminhos para a satisfação do mesmo;
·        Setor mais organizado e atual da personalidade;
·        Domina a capacidade de síntese;
·        Domínio da motilidade – domínio do esquema corporal;
·        Organiza a simbolização;
·        Sede da angústia.

SUPEREGO – “... responsável pela estruturação interna dos valores morais, ou seja, pela internalização das normas referentes ao que é moralmente proibido e o que é valorizado e deve ser ativamente buscado.” (Rappaport, 1981, p. 28)

“... representante interno dos valores tradicionais e dos ideais de sociedade
conforme interpretados para a criança pelos pais e impostos por um sistema de recompensas e de punições”. (Hall, 2000, p.54)

Características:
·        Serve como Ego-Ideal (Exemplo: em uma sociedade meritocrática imagem do açougueiro x professor universitário);
·        Responsável pela internalização das proibições (consciência moral);
·        Inibidor do Id em relação aos impulsos sexuais ou agressivos – condenados socialmente;
·        É uma estrutura necessária para o desenvolvimento do grupo social;
·        Uma pessoa que não desenvolve um Superego é um psicopata;
·        Quando exacerbado tende a imobilizar ou a neurotizar o indivíduo.


DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE

            Considera-se Freud como um dos primeiros teóricos a enfatizar os aspectos de desenvolvimento da personalidade e destacar o papel decisivo da infância neste desenvolvimento. Para Freud a personalidade esta formada no final do quinto ano de vida, e ao desenvolvimento posterior resta apenas a elaboração da estrutura básica.
            Tais conclusões têm como base o trabalho com pacientes na psicanálise, o retorno às experiências infantis demonstravam o desenvolvimento de neuroses posteriores, na vida adulta. Raramente  Freud estava crianças pequenas, ele reconstruía a infância através das lembranças fornecidas por seus pacientes adultos.

A personalidade se desenvolve em resposta a quatro fontes importantes de tensão: (1) processos de crescimento fisiológico, (2) frustrações, (3) conflitos e (4) ameaças. Como uma conseqüência direta de aumentos de tensão emanando dessas fontes, a pessoa é forçada a aprender novos métodos de reduzir a tensão. Tal aprendizagem é o que seria o desenvolvimento da personalidade. (Hall, 2000, 61)

            E como são resolvidas as frustrações, os conflitos e as ansiedades? Através da identificação e do deslocamento. A identificação pode ser definida como um método no qual o indivíduo assume características de outro e torna tais características como integrantes de sua personalidade, isto traz a redução da tensão com a modelação do comportamento.
A criança busca identificar-se a principio com as figuras paterna e materna, mas com o desenvolvimento identifica-se com outras figuras mais adequadas aos seus desejos de cada período. Identificação acontece de forma inconsciente e não corresponde a uma totalidade na figura do outro, isto é, o sujeito pode identificar apenas com algumas características do outro.

A estrutura final da personalidade representa um acúmulo de numerosas identificações feitas em vários períodos da vida da pessoa, embora a mãe e o pai provavelmente sejam as figuras de identificação mais fortes na vida de qualquer pessoa. (Hall, 2000, p.62)

            Quando não temos acesso a um objeto de desejo original de um instinto, por barreiras internas ou externas, sofremos uma repressão, assim, deslocamos este desejo para um outro objeto. Para Freud o desenvolvimento da civilização deu-se através da inibição de escolhas de objetais primitivas, nos permitindo acessar comportamento socialmente aceitáveis. “A complexa rede de interesses, preferências, valores, atitudes e apegos que caracterizam a personalidade do adulto humano é possibilitada pelo deslocamento”. (Hall, 2000, p.63)
            A energia psíquica precisa ser deslocada e distribuída, caso contrário, os indivíduos seriam comparados a robôs que agem pelo instinto básico de executar padrões fixados de comportamentos.