PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
PSICANÁLISE: alguns pontos sobre a vida de SIGMUND FREUD
· 06/05/1856: Nasce em Freiberg – Morávia (Tchecoslováquia), Primogênito de família judia, com mais seis irmãos, tinha seu próprio quarto e uma lâmpada de óleo para estudar;
· 1860: Muda-se com sua família para Viena;
· Aluno excelente apesar da limitada condição financeira da família;
· Devido ao clima anti-semita só poderia estudar Medicina ou o Direito;
· 1873: Ingressa na Universidade de Viena (com dezessete anos);
· Trabalhou no laboratório de fisiologia do Dr. Ernst Brücke (começou suas publicações);
· 1881: Foi aprovado nos exames finais do curso de medicina (permanece por oito anos);
· Devido à formatura e o casamento abandona as pesquisas para dedicar-se à clínica médica começando como cirurgião;
· 1884 a 1887: fez as primeiras pesquisas com cocaína;
· Com a influência do Dr. Brücke conseguiu uma bolsa de estudos para estudar com Charcot em Paris (induzir o alívio dos sintomas histéricos com sugestão hipnótica);
· Freud acreditava que a histeria era uma doença psíquica (função da psicologia);
· Volta para Viena encontra-se com o Dr. J. Breuer, que realizava na Áustria pesquisas de tratamento da histeria com a hipnose; ele cuidava de Ana O.;
· Abandona o trabalho com a hipnose e deixa a pessoa falar livremente. Método Catártico – eliminar sintomas com a retomada de recordações traumáticas passadas, definido pelo paciente, cura pela fala;
· 1896: Usou o termo psicanálise para descrever seus métodos;
· 1900: Publicou “A Interpretação dos sonhos” (uma das suas mais importantes obras);
· 1901: Publicou “Psicopatologia da vida cotidiana”;
· Devido seus escritos muitos médicos (Alfred Adler, Sandor Ferenzi, Carl Jung, Otto Rank, Karl Abraham e Ernest Jones) tiveram interesse em estudar e difundir a psicanálise;
· Para manter o controle do movimento psicanalítico expulsou algumas pessoas que discordavam de sua posição (Jung, Adler e Rank);
· 1910: Foi convidado para ir aos Estados Unidos proferir uma Conferência na Universidade de Clark;
· 1933: Os nazistas queimam uma pilha de livros de Freud em Berlin;
· 1923:Começa a sofrer com problemas de saúde; desenvolve um câncer na boca e na mandíbula, passa por trinta e três operações;
1939: Falece na Inglaterra.
PSICANÁLISE
O termo psicanálise pode se referir a: teoria, método de investigação ou prática profissional. Quanto ao uso como teoria, temos os conhecimentos a respeito da vida psíquica, contando com as publicações de Freud. Como método de investigação partimos da utilização de interpretações para compreensão de comportamentos através de ações, diálogos, sonhos, delírios etc. A prática profissional cabe ao psicólogo ou psicanalista que se encarrega do tratamento (análise) para cura e/ou autoconhecimento do indivíduo.
Fadiman (1986) afirma que Freud dizia que nada ocorre ao acaso, muito menos nossos processos mentais, por isso há uma causa para cada pensamento, memória que revivemos, sentimento e ação. Todos nossos eventos são causados por intenções conscientes ou inconscientes.
A PRIMEIRA TEORIA SOBRE A ESTRUTURA DO APARELHO PSÍQUICO
A primeira concepção de Freud sobre a estrutura e funcionamento da personalidade foi apresentada no livro A interpretação dos sonhos em 1900. Nesta teoria são apresentadas três instâncias psíquicas: INCONSCIENTE, PRÉ-CONSCIENTE E CONSCIENTE.
CONSCIENTE – “É o sistema do aparelho psíquico que recebe ao mesmo tempo as informações do mundo exterior e as do mundo interior. Na consciência, destaca-se o fenômeno da percepção e, principalmente, a percepção do mundo exterior”. (Bock, et al, 1995, p. 70).
É considerada uma pequena parte da mente, que inclui tudo que estamos cientes neste momento.
INCONSCIENTE: Conteúdos reprimidos; principais determinantes da personalidade; fonte de energia psíquica e pulsões e instintos.
Instintos que nunca foram conscientes e que não são acessíveis à consciência, como também material que não é esquecido ou perdido mas não é permitido ser lembrado.
... os conteúdos inconscientes são sempre idênticos a si mesmos e imortais. Encontra-se aí a explicação de como eventos que ocorreram na infância podem, a partir de seu registro inconsciente, exercer plenamente seus efeitos na vida do sujeito adulto. (Reis, 1984, p.13)
PRÉ-CONSCIENTE – é considerado como uma das partes do inconsciente, onde permanecem conteúdos acessíveis à consciência (lembranças).
Ao passar para o sistema pré-consciente, o ato psíquico é submetido à ação da censura. Caso lhe seja barrado o acesso a esta segunda etapa, diz-se que houve recalcamento. Entretanto, se a censura libera-lhe a passagem, o ato psíquico em questão passa a pertencer ao sistema pré-consciente. Tal ato adquire, desta maneira, a capacidade de se tornar consciente, desde que certas condições mínimas sejam atendidas. (Reis, 1984, pgs 15-16).
PULSÕES OU INSTINTOS
Instintos são pressões que dirigem um organismo para fins particulares. Quando Freud usa o termo, ele não se refere aos complexos padrões de comportamento herdados dos animais inferiores, mas seus equivalentes nas pessoas. (Fadiman, 1986, p.08)
Considerados como forças que levam as pessoas para ações, sendo que todo o instinto é composto por quatro elementos: fonte = emerge da necessidade (parte ou todo o corpo); finalidade = satisfação do desejo; pressão = quantidade de energia ou força utilizadas para a satisfação do desejo (intensidade ou urgência); objeto = coisa, a ação ou a expressão que permite a satisfação da finalidade original do instinto.
No conceito de instinto para Freud, temos um modelo de redução de tensão, assim a meta do instinto é de caráter regressivo, o indivíduo retorna para um estado anterior, antes do instinto, de relativa tranqüilidade. Mas o instinto também pode ser conversador e tem como meta conservar o equilíbrio do organismo (abolir excitações perturbadoras). Neste caso podemos definir o instinto como um processo de repetição, chamado por Freud como compulsão à repetição. Sendo a personalidade guiada para repetir sempre o ciclo de excitação e tranqüilidade.
SEGUNDA TÓPICA
PROPÕE UM MODELO DINÂMICO DA PERSONALIDADE ENTRE 1920 – 1923.
ID – “O id é o reservatório de energia do indivíduo. É constituído pelo conjunto dos impulsos instintivos inatos, que motivam as relações do indivíduo com o mundo” (Rappaport, 1981, p. 20).
“...é a matriz da qual se originaram o ego e o superego. O Id consiste em tudo que é psicológico, que é herdado e que se acha presente no nascimento, incluindo os instintos”.(Hall, 2000, p.53)
Características do Id (Rappaport, 1981, p. 21-22)
· Responsável pelo processo primário. Diante da manifestação do desejo, forma, no plano do imaginário, o objeto que permitirá sua satisfação. (ex. sonho).
· “Funciona pelo princípio do prazer. Busca a satisfação imediata das necessidades”.
EGO – “O Ego surge como uma instância que se diferencia a partir do Id, servindo de intermediário entre o desejo e a realidade”(Rappaport, 1981, p. 25).
“O ego passa a existir porque as necessidades do organismo requerem transações apropriadas com o mundo objetivo da realidade”. (Hall, 2000, p.54)
Características do Ego (Rappaport, 1981, p. 26-28)
· Dá o juízo da realidade – o Id dá o desejo o ego tentará construir caminhos para a satisfação do mesmo;
· Setor mais organizado e atual da personalidade;
· Domina a capacidade de síntese;
· Domínio da motilidade – domínio do esquema corporal;
· Organiza a simbolização;
· Sede da angústia.
SUPEREGO – “... responsável pela estruturação interna dos valores morais, ou seja, pela internalização das normas referentes ao que é moralmente proibido e o que é valorizado e deve ser ativamente buscado.” (Rappaport, 1981, p. 28)
“... representante interno dos valores tradicionais e dos ideais de sociedade
conforme interpretados para a criança pelos pais e impostos por um sistema de recompensas e de punições”. (Hall, 2000, p.54)
Características:
· Serve como Ego-Ideal (Exemplo: em uma sociedade meritocrática imagem do açougueiro x professor universitário);
· Responsável pela internalização das proibições (consciência moral);
· Inibidor do Id em relação aos impulsos sexuais ou agressivos – condenados socialmente;
· É uma estrutura necessária para o desenvolvimento do grupo social;
· Uma pessoa que não desenvolve um Superego é um psicopata;
· Quando exacerbado tende a imobilizar ou a neurotizar o indivíduo.
DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE
Considera-se Freud como um dos primeiros teóricos a enfatizar os aspectos de desenvolvimento da personalidade e destacar o papel decisivo da infância neste desenvolvimento. Para Freud a personalidade esta formada no final do quinto ano de vida, e ao desenvolvimento posterior resta apenas a elaboração da estrutura básica.
Tais conclusões têm como base o trabalho com pacientes na psicanálise, o retorno às experiências infantis demonstravam o desenvolvimento de neuroses posteriores, na vida adulta. Raramente Freud estava crianças pequenas, ele reconstruía a infância através das lembranças fornecidas por seus pacientes adultos.
A personalidade se desenvolve em resposta a quatro fontes importantes de tensão: (1) processos de crescimento fisiológico, (2) frustrações, (3) conflitos e (4) ameaças. Como uma conseqüência direta de aumentos de tensão emanando dessas fontes, a pessoa é forçada a aprender novos métodos de reduzir a tensão. Tal aprendizagem é o que seria o desenvolvimento da personalidade. (Hall, 2000, 61)
E como são resolvidas as frustrações, os conflitos e as ansiedades? Através da identificação e do deslocamento. A identificação pode ser definida como um método no qual o indivíduo assume características de outro e torna tais características como integrantes de sua personalidade, isto traz a redução da tensão com a modelação do comportamento.
A criança busca identificar-se a principio com as figuras paterna e materna, mas com o desenvolvimento identifica-se com outras figuras mais adequadas aos seus desejos de cada período. Identificação acontece de forma inconsciente e não corresponde a uma totalidade na figura do outro, isto é, o sujeito pode identificar apenas com algumas características do outro.
A estrutura final da personalidade representa um acúmulo de numerosas identificações feitas em vários períodos da vida da pessoa, embora a mãe e o pai provavelmente sejam as figuras de identificação mais fortes na vida de qualquer pessoa. (Hall, 2000, p.62)
Quando não temos acesso a um objeto de desejo original de um instinto, por barreiras internas ou externas, sofremos uma repressão, assim, deslocamos este desejo para um outro objeto. Para Freud o desenvolvimento da civilização deu-se através da inibição de escolhas de objetais primitivas, nos permitindo acessar comportamento socialmente aceitáveis. “A complexa rede de interesses, preferências, valores, atitudes e apegos que caracterizam a personalidade do adulto humano é possibilitada pelo deslocamento”. (Hall, 2000, p.63)
A energia psíquica precisa ser deslocada e distribuída, caso contrário, os indivíduos seriam comparados a robôs que agem pelo instinto básico de executar padrões fixados de comportamentos.
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