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sábado, 30 de janeiro de 2010

Aula 30/01/10 - Profa. Viviane M. de Oliveira dos Santos

MECANISMOS DE DEFESA DO EGO

            Ao se deparar com pressões excessivas de ansiedade, o ego muitas vezes, precisa aliviar tais tensões, o alívio das tensões acontece através dos mecanismos de defesa do ego. Tais tensões podem partir de acontecimentos, do mundo exterior ou interior, como também uma situação constrangedora ou dolorosa.
Para evitar o desprazer, o indivíduo busca defender-se através de deformações ou supressão da realidade. Tais mecanismos são considerados inconscientes, sendo que para Freud a defesa é uma operação que o ego realiza para excluir da consciência os conteúdos indesejáveis, com a intenção de proteção do aparelho psíquico.
TIPOS DE MECANISMOS DE DEFESA
REPRESSÃO
  • Impede que pensamentos dolorosos ou perigosos cheguem à consciência.
  • Uma vez formada são difíceis de serem apagadas.
·        Manifestação de doenças psicossomáticas (asma, artrite, úlcera, cansaço excessivo, fobias e impotência)
  • Podem surgir sentimentos ambivalentes (relação amor-ódio).
Ex.: um filho que reprimiu seus sentimentos hostis em relação ao pai pode expressar esses sentimentos hostis diante de outros símbolos de autoridade.
NEGAÇÃO
  • Tentativa de não aceitar na realidade um fato que perturba o ego.
  • Tendência a fantasiar que certos acontecimentos não aconteceram.
  • Lembra incorretamente de fatos.

RACIONALIZAÇÃO
  • Busca de motivos aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis.
  • Apresenta uma explicação que é ou lógica ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que surge de outras fontes motivadoras.
  • Usamos para justificar nossos comportamentos.
  • É uma forma de aceitar a pressão do superego disfarçando nossos verdadeiros motivos fazendo com que nossas ações sejam moralmente aceitáveis.

FORMAÇÃO REATIVA

  • Visa substituir um sentimento ansiogêno pelo seu oposto (ódio – amor; tristeza – alegria, etc). Ele é mascarado por outro.
  • Marcada por uma manifestação extravagante e pela compulsividade.
ISOLAMENTO
  • Ato de dividir a situação de modo a restar pouca ou nenhuma reação emocional ligada ao acontecimento.
  • Os fatos passam a ser relatados sem sentimentos.
  • Pode isolar-se cada vez mais em idéias e ter contato cada vez menor com seus próprios sentimentos.

PROJEÇÃO
  • Reduz a ansiedade ao substituir por um perigo menor.
  • Ato de atribuir a uma pessoa, animal ou objeto qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio.
FIXAÇÃO ou REGRESSÃO
  • Retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil.
  • Fixa em determinadas fases do desenvolvimento por que dar um passo adiante causa ansiedade, impedindo de ser independente.
  • Modo de defesa mais primitivo.

IDENTIFICAÇÃO

  • Internalização de características de alguém valorizado, passando a sentir-se como ele.
  • Processo necessário no início da vida.
  • Permanecer em identificação impede a aquisição de uma identidade própria.

DESLOCAMENTO

  • Descarregamos sentimentos acumulados, em geral sentimentos agressivos, em pessoas ou objetos menos perigosos


FASES DE DESENVOLVIMENTO

Depois do nascimento o bebê perde a relação simbiótica pré-natal que existia com a mãe, com o corte do cordão a separação é irreversível, por isso a criança deve começar sua adaptação ao meio.
A angústia inicial do nascimento – dificuldade para respirar – é o reflexo da luta entre os instintos de vida e os instintos de morte. Portanto é preciso reagir, inspirar esse novo mundo, o mundo externo. Para a sobrevivência é necessária a aceitação dessa novidade e é através da construção da relação afetiva e posteriormente intelectuais, que o ser humano mantém sua existência.
O que era realizado no útero materno, processos de incorporação de alimentos e excreção de substancias não aproveitáveis, deverá ser realizado de outra forma, nas relações com o meio.
Ar saudável entra, ar viciado sai, leite entra e alimenta, fezes e urina dejetam os produtos inúteis para o organismo, esta é a base biológica para os mecanismos de projeção e introjeção que formação as primeiras trocas da criança com o mundo. 

Fase Oral

            Ao nascer nossa estrutura sensorial mais desenvolvida é a boca. É por ela que mobilizaremos nossa luta pela sobrevivência, experimentaremos o mundo e o conheceremos. É a boca que realiza a primeira descoberta afetiva do ser humano: o seio.
            O seio é considerado como o primeiro objeto de ligação com o meio, este é depositário de amores e ódios, é a primazia da mãe que ainda não é conhecida como objeto total. A libido (energia de vida) está organizada neste momento na zona oral, e a modalidade de relação é a incorporação.
            A incorporação, segundo Rappaport, (1981, p.36) “é um caso particular de mecanismo de introjeção”. A incorporação do leite leva também a incorporação do seio e da mãe, com isso temos o estabelecimento do vínculo inicial. Nesta fase as crianças levam tudo à boca, pois esta é a via de conhecer o mundo. 
            Temos duas fases de desenvolvimento da libido na fase oral, a primeira que precede a dentição: etapa oral de sucção que tem como modalidade a relação incorporativa. Existe apenas a vivencia do mundo interno, sendo chamado de narcisismo este modelo de organização. Caso o indivíduo, tenha uma fixação nesta etapa ou retorne a ela, podemos caracterizar uma esquizofrenia. 
E na segunda etapa temos o aparecimento dos dentes, e é chamada é etapa oral sádico-canibal, com os dentes temos a concretização da capacidade destrutiva. Nesta etapa a criança precisa da agressividade para sobreviver socialmente mas também vive a ambivalência de amar e de destruir (mastigar, devorar).
Com desenvolvimento afetivo normal, a criança estabelece o amor como sentimento básico, mas se o desenvolvimento contemplar angústias e agressividade, teremos como mensagem que tudo que é incorporado e amado deve ser destruído, o que levará a uma psicose maníaco-depressiva.

Fase Anal
            Com o início do segundo ano de vida a libido passa a se organizar na área anal. A ligação da psicanálise com as questões das organizações biológicas nos traz uma compreensão ampliada das fases de desenvolvimento, assim, no segundo ou terceiro ano de vida que temos a maturação muscular para a organização psicomotora, e iniciamos atividades como andar, falar e também o controle dos esfíncteres.

Dois processos básicos estão se organizando na evolução psicológica. O primeiro diz respeito ao conteúdo, ou seja, às fantasias que a criança elabora sobre os primeiros produtos realmente seus que coloca no mundo. O segundo diz respeito ao modelo de relação a ser estabelecido com o mundo através destes produtos. (Rappaport, 1981, p.39)

            Neste momento a criança sente que tem “coisas suas”, coisas produzidas por ela, e a oferta ou nega dessas coisas ao mundo. Desde a fala, o andar que podem ser apresentados ou negados aos outros. Esta fase tem duas modalidades de relação: projeção e controle.
            No desenvolvimento normal a criança ama e sente-se amada, os produtos são valorizados, isso será levado a todas as outras etapas da vida. Mas com um sentimento de inferioridade teremos como conduta que nossos produtos não são bons, que podem levar a sentimentos de angústia como também a neurose obsessiva. Temos como etapas: domínio dos processos expulsivos que levará a projeção, a retentiva que levará aos mecanismos de controle.  

Fase Fálica

            A nova organização da libido se dá por volta dos três anos e a erotização passa para os genitais, assim a criança passa a ter interesse na masturbação, nas diferenças sexuais, e também em questionar os objetos (ônibus tem pipi?). Neste período temos a presença ou ausência do pênis, os autores alegam que a vagina continuará desconhecida. A modalidade está relacionada com a organização da relação entre o homem e a mulher.
            Nos meninos a erotização estará no pênis, e nas meninas no clitóris. Neste momento temos a relação de diferença estabelecida, entre superioridade e inferioridade.
Ao homem adjudica-se um elementos de superioridade, que é a posse do pênis. Em decorrência, configura-se uma grande ameaça diante dos conflitos interpessoais, que é o temor de ser atacado naquilo que mais valoriza, ou seja, o temor de castração. À mulher atribui-se um elemento de inferioridade, a castração, e a inveja decorrente, a inveja do pênis, que a mobilizará no sentido de conseguir o que só homem tem, o de compensar esta inferioridade sentida no plano da fantasia. (Rappaport, 1981, p.42)

            Este é o momento de organizar as relações entre homens e mulheres, e as crianças buscam o prazer na companhia dos opostos. Mas esta relação está permeada pela zona de erotização genital, por isso é natural que as fantasias infantis se configurem no objeto de atração sexual. 

Período de Latência

            Com a repressão do complexo de Édipo, a energia  da libido fica deslocada, devido à repressão. Tal energia é agora canalizada para outras finalidades: desenvolvimento intelectual e social da criança. A canalização é chamada de realizações socialmente produtivas de sublimação.

            O período de latência não é considerado como uma fase, pois não tem organização em zona erógena, nem das fantasias, nem modalidades de relações objetais. É um período intermediário: fase fálica e fase genital. A sexualidade “dorme” para surgir com total força na puberdade. Mas este sono proporciona o ingresso na escolaridade formal que gera muitos ganhos para os indivíduos.
           
Fase Genital

            O pleno desenvolvimento (normal) é alcançado na fase genital, além da genitalidade específica o homem também perpetuará a vida, sendo uma de suas finalidade. Terá como aspecto fundamental sua inclusão social, desenvolvimento intelectual, religioso, ideológico, e manterá vínculos relacionais maduros.  

Complexo de Édipo

O MITO DE ÉDIPO

O mito ou lenda de Édipo é considerado por Freud uma obra imortal, que suprime a responsabilidade do homem, atribuindo as potências divinas a iniciativa do crime e demonstra as tendências morais do indivíduo que o fazem resistir as tendências criminosas.

Segundo Freud, o complexo de Édipo é vivido no seu período máximo entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica, o seu declínio marca a entrada no período de latência. O complexo de Édipo pode ser considerado como o eixo central da teoria freudiana da personalidade, desempenhando papel fundamental na orientação do desejo humano, sendo o que dá significado ao conjunto de conceitos psicanalíticos e é o chamado clímax da sexualidade infantil.

Os psicanalistas fazem dele o eixo de referência principal da psicopatologia, procurando para cada tipo patológico determinar os modos da sua posição e da sua resolução. Segundo Laplanhce (1985) a antropologia psicanalítica procura reencontrar a estrutura triangular do complexo de Édipo, para tanto afirma sua universalidade nas culturas mais diversas, e não apenas naquelas em que predomina a família conjugal.


Referências Bibliográficas:

ABERASTURY, Arminda. Psicanálise da criança: teoria e técnica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 8ed.  São Paulo: Saraiva, 1995.
CUNHA, Antônio Geraldo da – Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 11ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1999.
CHEVALIER, Jean e Gheererbrant, Alin. Dicionário de Símbolos. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.
FADIMAN, James. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 1986. 
HALL, Calvin S. Teoria da personalidade. 4ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

HAMILTON, Edith. Mitologia. São Paulo: Martins Fontes, 1992

LAPLANCHE, J e PONTALIS, J,B. Vocabulário da Psicanálise. 8 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
RAPPAPORT, Clara Regina. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: EPU, 1981. 

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