TIPOS DE MECANISMOS DE DEFESA
REPRESSÃO
- Impede que pensamentos dolorosos ou perigosos cheguem à consciência.
- Uma vez formada são difíceis de serem apagadas.
· Manifestação de doenças psicossomáticas (asma, artrite, úlcera, cansaço excessivo, fobias e impotência)
- Podem surgir sentimentos ambivalentes (relação amor-ódio).
Ex.: um filho que reprimiu seus sentimentos hostis em relação ao pai pode expressar esses sentimentos hostis diante de outros símbolos de autoridade.
NEGAÇÃO
- Tentativa de não aceitar na realidade um fato que perturba o ego.
- Tendência a fantasiar que certos acontecimentos não aconteceram.
- Lembra incorretamente de fatos.
RACIONALIZAÇÃO
- Busca de motivos aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis.
- Apresenta uma explicação que é ou lógica ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que surge de outras fontes motivadoras.
- Usamos para justificar nossos comportamentos.
- É uma forma de aceitar a pressão do superego disfarçando nossos verdadeiros motivos fazendo com que nossas ações sejam moralmente aceitáveis.
FORMAÇÃO REATIVA
- Visa substituir um sentimento ansiogêno pelo seu oposto (ódio – amor; tristeza – alegria, etc). Ele é mascarado por outro.
- Marcada por uma manifestação extravagante e pela compulsividade.
ISOLAMENTO
- Ato de dividir a situação de modo a restar pouca ou nenhuma reação emocional ligada ao acontecimento.
- Os fatos passam a ser relatados sem sentimentos.
- Pode isolar-se cada vez mais em idéias e ter contato cada vez menor com seus próprios sentimentos.
PROJEÇÃO
- Reduz a ansiedade ao substituir por um perigo menor.
- Ato de atribuir a uma pessoa, animal ou objeto qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio.
FIXAÇÃO ou REGRESSÃO
- Retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil.
- Fixa em determinadas fases do desenvolvimento por que dar um passo adiante causa ansiedade, impedindo de ser independente.
- Modo de defesa mais primitivo.
IDENTIFICAÇÃO
- Internalização de características de alguém valorizado, passando a sentir-se como ele.
- Processo necessário no início da vida.
- Permanecer em identificação impede a aquisição de uma identidade própria.
DESLOCAMENTO
- Descarregamos sentimentos acumulados, em geral sentimentos agressivos, em pessoas ou objetos menos perigosos
FASES DE DESENVOLVIMENTO
Depois do nascimento o bebê perde a relação simbiótica pré-natal que existia com a mãe, com o corte do cordão a separação é irreversível, por isso a criança deve começar sua adaptação ao meio.
A angústia inicial do nascimento – dificuldade para respirar – é o reflexo da luta entre os instintos de vida e os instintos de morte. Portanto é preciso reagir, inspirar esse novo mundo, o mundo externo. Para a sobrevivência é necessária a aceitação dessa novidade e é através da construção da relação afetiva e posteriormente intelectuais, que o ser humano mantém sua existência.
O que era realizado no útero materno, processos de incorporação de alimentos e excreção de substancias não aproveitáveis, deverá ser realizado de outra forma, nas relações com o meio.
Ar saudável entra, ar viciado sai, leite entra e alimenta, fezes e urina dejetam os produtos inúteis para o organismo, esta é a base biológica para os mecanismos de projeção e introjeção que formação as primeiras trocas da criança com o mundo.
Fase Oral
Ao nascer nossa estrutura sensorial mais desenvolvida é a boca. É por ela que mobilizaremos nossa luta pela sobrevivência, experimentaremos o mundo e o conheceremos. É a boca que realiza a primeira descoberta afetiva do ser humano: o seio.
O seio é considerado como o primeiro objeto de ligação com o meio, este é depositário de amores e ódios, é a primazia da mãe que ainda não é conhecida como objeto total. A libido (energia de vida) está organizada neste momento na zona oral, e a modalidade de relação é a incorporação.
A incorporação, segundo Rappaport, (1981, p.36) “é um caso particular de mecanismo de introjeção”. A incorporação do leite leva também a incorporação do seio e da mãe, com isso temos o estabelecimento do vínculo inicial. Nesta fase as crianças levam tudo à boca, pois esta é a via de conhecer o mundo.
Temos duas fases de desenvolvimento da libido na fase oral, a primeira que precede a dentição: etapa oral de sucção que tem como modalidade a relação incorporativa. Existe apenas a vivencia do mundo interno, sendo chamado de narcisismo este modelo de organização. Caso o indivíduo, tenha uma fixação nesta etapa ou retorne a ela, podemos caracterizar uma esquizofrenia.
E na segunda etapa temos o aparecimento dos dentes, e é chamada é etapa oral sádico-canibal, com os dentes temos a concretização da capacidade destrutiva. Nesta etapa a criança precisa da agressividade para sobreviver socialmente mas também vive a ambivalência de amar e de destruir (mastigar, devorar).
Com desenvolvimento afetivo normal, a criança estabelece o amor como sentimento básico, mas se o desenvolvimento contemplar angústias e agressividade, teremos como mensagem que tudo que é incorporado e amado deve ser destruído, o que levará a uma psicose maníaco-depressiva.
Fase Anal
Com o início do segundo ano de vida a libido passa a se organizar na área anal. A ligação da psicanálise com as questões das organizações biológicas nos traz uma compreensão ampliada das fases de desenvolvimento, assim, no segundo ou terceiro ano de vida que temos a maturação muscular para a organização psicomotora, e iniciamos atividades como andar, falar e também o controle dos esfíncteres.
Dois processos básicos estão se organizando na evolução psicológica. O primeiro diz respeito ao conteúdo, ou seja, às fantasias que a criança elabora sobre os primeiros produtos realmente seus que coloca no mundo. O segundo diz respeito ao modelo de relação a ser estabelecido com o mundo através destes produtos. (Rappaport, 1981, p.39)
Neste momento a criança sente que tem “coisas suas”, coisas produzidas por ela, e a oferta ou nega dessas coisas ao mundo. Desde a fala, o andar que podem ser apresentados ou negados aos outros. Esta fase tem duas modalidades de relação: projeção e controle.
No desenvolvimento normal a criança ama e sente-se amada, os produtos são valorizados, isso será levado a todas as outras etapas da vida. Mas com um sentimento de inferioridade teremos como conduta que nossos produtos não são bons, que podem levar a sentimentos de angústia como também a neurose obsessiva. Temos como etapas: domínio dos processos expulsivos que levará a projeção, a retentiva que levará aos mecanismos de controle.
Fase Fálica
A nova organização da libido se dá por volta dos três anos e a erotização passa para os genitais, assim a criança passa a ter interesse na masturbação, nas diferenças sexuais, e também em questionar os objetos (ônibus tem pipi?). Neste período temos a presença ou ausência do pênis, os autores alegam que a vagina continuará desconhecida. A modalidade está relacionada com a organização da relação entre o homem e a mulher.
Nos meninos a erotização estará no pênis, e nas meninas no clitóris. Neste momento temos a relação de diferença estabelecida, entre superioridade e inferioridade.
Ao homem adjudica-se um elementos de superioridade, que é a posse do pênis. Em decorrência, configura-se uma grande ameaça diante dos conflitos interpessoais, que é o temor de ser atacado naquilo que mais valoriza, ou seja, o temor de castração. À mulher atribui-se um elemento de inferioridade, a castração, e a inveja decorrente, a inveja do pênis, que a mobilizará no sentido de conseguir o que só homem tem, o de compensar esta inferioridade sentida no plano da fantasia. (Rappaport, 1981, p.42)
Este é o momento de organizar as relações entre homens e mulheres, e as crianças buscam o prazer na companhia dos opostos. Mas esta relação está permeada pela zona de erotização genital, por isso é natural que as fantasias infantis se configurem no objeto de atração sexual.
Período de Latência
Com a repressão do complexo de Édipo, a energia da libido fica deslocada, devido à repressão. Tal energia é agora canalizada para outras finalidades: desenvolvimento intelectual e social da criança. A canalização é chamada de realizações socialmente produtivas de sublimação.
O período de latência não é considerado como uma fase, pois não tem organização em zona erógena, nem das fantasias, nem modalidades de relações objetais. É um período intermediário: fase fálica e fase genital. A sexualidade “dorme” para surgir com total força na puberdade. Mas este sono proporciona o ingresso na escolaridade formal que gera muitos ganhos para os indivíduos.
Fase Genital
O pleno desenvolvimento (normal) é alcançado na fase genital, além da genitalidade específica o homem também perpetuará a vida, sendo uma de suas finalidade. Terá como aspecto fundamental sua inclusão social, desenvolvimento intelectual, religioso, ideológico, e manterá vínculos relacionais maduros.
Complexo de Édipo
O MITO DE ÉDIPO
O mito ou lenda de Édipo é considerado por Freud uma obra imortal, que suprime a responsabilidade do homem, atribuindo as potências divinas a iniciativa do crime e demonstra as tendências morais do indivíduo que o fazem resistir as tendências criminosas.
Segundo Freud, o complexo de Édipo é vivido no seu período máximo entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica, o seu declínio marca a entrada no período de latência. O complexo de Édipo pode ser considerado como o eixo central da teoria freudiana da personalidade, desempenhando papel fundamental na orientação do desejo humano, sendo o que dá significado ao conjunto de conceitos psicanalíticos e é o chamado clímax da sexualidade infantil.
Os psicanalistas fazem dele o eixo de referência principal da psicopatologia, procurando para cada tipo patológico determinar os modos da sua posição e da sua resolução. Segundo Laplanhce (1985) a antropologia psicanalítica procura reencontrar a estrutura triangular do complexo de Édipo, para tanto afirma sua universalidade nas culturas mais diversas, e não apenas naquelas em que predomina a família conjugal.
Referências Bibliográficas:
ABERASTURY, Arminda. Psicanálise da criança: teoria e técnica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
BOCK, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 8ed. São Paulo: Saraiva, 1995.
CUNHA, Antônio Geraldo da – Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 11ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1999.
CHEVALIER, Jean e Gheererbrant, Alin. Dicionário de Símbolos. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.
FADIMAN, James. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 1986.
HALL, Calvin S. Teoria da personalidade. 4ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
HAMILTON, Edith. Mitologia. São Paulo: Martins Fontes, 1992
LAPLANCHE, J e PONTALIS, J,B. Vocabulário da Psicanálise. 8 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
RAPPAPORT, Clara Regina. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: EPU, 1981.
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